domingo, 7 de junho de 2015

07 de Junho

Querida mãe.
Hoje foi o dia em que me enviaste uma foto tua por mail. Uma foto que transpira Verão e transpira um pouco mais de calma.
É quase enlouquecedor ver essa foto e pensar no mês de março ao mesmo tempo.
O coração aperta ao pensar nos momentos de grande aflição que vivi. Junto de ti. Junto da tia.
A vida pega-nos, amachuca-nos, atira-nos a um canto esperando que o nosso papel se volte a moldar ao que era. Ao que éramos antes. E não somos mais iguais.
Somos mais frágeis. Mais fortes. Mais atentos e mais aluados.
Somos muito mais depois de sermos despidos e confrontados com  a película frágil que finge que nos protege.

Vejo-te ainda mais bonita e isso é o que me deixa mais feliz.

Como estás depois de tudo isto?
Já é depois? Para ti ainda é agora?

Eu fiquei mais frágil, com maior distância... e nem sabia que isso era possível. Uma distância aumentar num coração.

Queria, depois de tudo o que passámos, viver o Verão contigo.
As cores, os fatos de banho, o sol na pele e a água no corpo.

O Verão que retorna com sua beleza. Verão maior ainda. Beleza maior ainda.

Saudades das tuas mãos morenas, que terminam com unhas curtas e limpas. Que aquecem como a película que é a nossa pele.

Um abraço pensando no retorno ao nosso encontro logo.

Sempre assim.