domingo, 1 de fevereiro de 2015

1 de Fevereiro

Querida mãe,
diferente de um email, estes posts não esperam resposta. São de leitura. São para a tua leitura e começam agora no dia 1 de Fevereiro. Irei escrever, a partir de hoje, todos os dias, quer seja com um poema, uma música, uma foto, a descrição de um momento, de um sentimento... para que estejamos próximas. Ainda mais. Porque tu sabes que estamos tão próximas. Sempre, querida mãe, sempre.

Quero inaugurar este blog, então, com o "salto branco".
Esta foto:




Quero que ela tente representar ao máximo os tempos que se aproximam. Ou seja, os próximos meses são apenas, e apenas só, um salto para uma outra etapa. De paz. Enfim paz, como o branco da espuma do mar, o branco da minha blusa e o branco da pele morena do sol.

(...)

Escrevo-te do avião, a caminho de São Paulo onde farei escala para depois chegar a Belo Horizonte.
Foi uma semana linda. Sem compromissos com nada a não ser com a água. A água do mar, a água doce do chuveiro que nos tirava a areia quando chegávamos a casa, a água azul como a Lagoa que encontrámos por acaso numa caminhada suave. Vi corais castanhos, um ou outro peixe. Nadei pelo mar. O Augusto disse-me que nadar assim era o mais perto que tínhamos de voar. De início rejeitei... Achei que fazer asa delta, por exemplo, seria mais próximo. Mas não. Inverte o céu com a água e vê só: voas no mar! És uma águia marinha! A maior que existe! No teu tempo. No tempo de cada um. De cada águia.

O silêncio do fundo mar.

O silêncio
do fundo
do mar.

(...)

No último dia acordámos cedo. Olhámos um para o outro e eu chamei a atenção para o som que nos rodeava. O mar ao longe, com as ondas batendo e o canto dos passarinhos bem perto. Pelas frechinhas da cortina da janela víamos folhas verdes que gritavam com o beijo do sol. E era só isso. Naquela manhã foi só isso.

Só.

- Vamos para o mar? - perguntou ele.
- Sim. De despedida. Nas piscinas sem ondas.

Mas essa não foi a despedida. Ainda fomos de novo. Mais uma vez, depois de falar contigo. Depois de me avisares que o teu fevereiro ia ser difícil... Aí sim, fui de novo ao mar, desta vez com ondas.

Baixei-me debaixo da espuma das ondas rebentadas e debaixo do balanço das que ainda não tinham rebentado e soltei para ti um enorme abraço da melhor forma que consigo: através do imenso mar que nos separa.

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