sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

6 de Fevereiro

Querida mãe,

(...)

:))

Sorriso. Sorriso para ti.
Hoje sei sobre o que te quero escrever... Mas vejo esta folha em branco para o fazer e... sei que ela é o que nos une neste momento e isso revolta-me. Ser apenas uma folha em branco que nos permite falar e comunicar. E por isso escrevo "sorriso". Sorriso para ti. Tenho vontade que a escrita se torne, brutalmente, em ações. Que a escrita se mova. Que ganhe vida e se transforme. Nos transforme. 

Hoje queria escrever-te sobre um texto que escrevi em 2012. Não sei se te lembras: este. (a foto no blog tirei contigo em Ouro Preto quando vieste aqui, lembras-te?)

Tenho-me lembrado dele. Acho que na altura, por algum motivo que não descreverei aqui, me senti muito frágil. E de novo então me vem à cabeça a ideia de uma capa. De um fato mágico, protetor da vida. Protetor de nós. Um fato mágico invisível que nos torna imortais. Neste conto, Bárbara perdeu esse fato de super poderes, um dia, antes de sair de casa. Andava pelas ruas meia estranha.
E às vezes andamos meio estranhos mesmo... nus. Nus de identidade, nus de força. Sem o nosso fato de super poderes. 

Relendo o texto vejo, até, como a minha escrita mudou. Como eu mudei junto com ela e como ela me pertence. Que bom: a evolução! Para mim, o tempo será sempre o conceito mais mágico e bonito que temos na vida. Mais do que o cinema. (!!!!...)

(...)

Aqui (Brasil) estão todos doidos com o Carnaval, já. 
Eu até comprei uns tecidos bem coloridos e brilhantes para ver se me animava. Para ver se interrompia alguns segundos de preocupação, de ânsia. Que parecem ser constantes e ininterruptos.
Adoro cores e tu sabes. Adoro lojas de lãs! Adoro lojas de tecidos!
Há um bloco de Carnaval que se chama "Então Brilha".
As duas cores são estas:























(...)

Hoje fui fazer um teste de ator para o filme. Em principio uma das cenas que íamos fazer incluía um batom vermelho. Eu ia levar o meu para a atriz usar em cena e decidi colocar também.

(...)

Como percebes... hoje o meu post é tão banal. 
Tão banal... interrompido. 
Curto.
A poesia lenta. 
A cor devagar. 
A linha curva. 
A tentativa recta.

Almocei com o Augusto umas sandes. Comi mexicano com o João, meu amigo.
Conversámos e partilhámos histórias. Isso é bom. 
Aqui. 
Longe. 
Partilhar intimidade com amigos. Ter amigos. Rir um pouco. Qualquer coisa. Qualquer coisa.
Qualquer coisa, tanto faz. Agora qualquer coisa tanto faz enquanto estiver aqui. Só penso em chegar aí.

Ainda tentámos ver um filme do Álmodovar. Adormeci mas ainda vi umas cenas iniciais muito boas: uma mulher que todos os dias, desde que o marido morreu há dois anos, usava com ela algo dele. E um dia colocou umas botas dele mas que lhe estavam tão apertadas, tão apertadas, que ela não as conseguia tirar de jeito nenhum!!! O melhor é que em uma das cenas a bota sai mas ele continua a tentar tirá-las (erro no filme e só repara quem está muito atento!  

(...)

É tarde já. Muito tarde. Três horas da manhã. Mas é viciante vir aqui escrever-te todos os dias. E embora já tenhamos falado hoje (e que bom que foi!) não consigo ir dormir sem te deixar aqui pensamentos vagos, frases soltas, coisas pequenas do meu dia.

(...)

Hoje despeço-me como num email:

Com um abraço carregado de ternura. Com uma posição especial dos meus braços neste abraço: eles enrolam a tua cabeça, e não o teu corpo. Estamos sentadas no teu sofá branco e coloco-me um pouco acima de ti para que esta posição seja possível e beijo-te a cabeça enquanto te abraço com as mãos enroladas no teu corpo. E tu só repousas a tua cabeça na minha e deixas-te entregar a mim. Tua filha.

Hoje é só isto.
E a ternura dos dias. Sempre.
A ternura dos dias todos os dias. Sempre.

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