hoje, como ontem, partilho contigo um poema.
Desta vez sobre o amor.
O amor dos amantes.
O amor que quando lemos nos parece tão certeiro, tão fácil. Mas na vida real se mostra tão raro.
Tão único. Tão escondido. Tão solitário.
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a função do amor é fabricar desconhecimento
(o conhecido não tem desejo; mas todo o amor é desejar)
embora se viva às avessas, o idêntico sufoque o uno
a verdade se confunda com o facto, os peixes se gabem de pescar
e os homens sejam apanhados pelos vermes (o amor pode não se
importar
se o tempo troteia, a luz declina, os limites vergam
nem se maravilhar se um pensamento pesa como uma estrela
─ o medo tem morte menor; e viverá menos quando a morte acabar)
que afortunados são os amantes (cujos seres se submetem
ao que esteja para ser descoberto)
cujo ignorante cada respirar se atreve a esconder
mais do que a mais fabulosa sabedoria teme ver
(que riem e choram) que sonham, criam e matam
enquanto o todo se move; cada parte permanece quieta:
e.e. cummings
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